AILTON KRENAK:"O ETERNO RETORNO DO ENCONTRO"
Posted by ~Ray @ 2007-12-09 15:43:15
25/09/2006 19h08Ailton Krenack no CCSBImagem:meu e-book. "A Indiazinha e o Natal" que distribuí aos amigos em especial ao GRUMIN e quando fizer a edição definitiva ela será entregue à mesma. Trata-se de ima poesia que conta a história de uma menininazinha sem a sua aldeia...(O TEXTO DESSE LIVRO. OFERECI A ELIANE PORTIGUARA. FOI FEITO PELO WEBMASTER LOURIVALDO PEREZ BAÇAN. SEU PREFÁCIO É DE MARIA DE JESUS FORTUNA.)**************************************************************************A convite de Marco Llobus do Centro Cultural S. Bernardo,estivemos numa terça - feira no Centro Cultural S. Bernardo onde o nosso amigo fotógrafo faz o que pode pela Cultura,para assistir à conversa ao pé do fogo de Ailton Krenack,no Governo do Estado de MG responsável pelos assuntos indígenas. Fui acompanhada por Juciléia Botelho e adoramos essa noite ,ali no pátio do CCSB. Pessoas presentes muito interessadas,meu amigo o poeta e performer Ricardo Evangelista que é sociólogo,e Llobus fazendo colocações interessantes. Marco Llobus contou de quando foi à casa de Ailton tendo notado que o computador ocupava um espaço ,como se fosse uma geladeira:precisa-se usa-se. Queria dizer que o Krenak não fica agarrado ao bichinho tecnológico. Muito culto. Ailton nos levou às origens. Não se limitou a falar apenas de sua tribo mas de todas as comunidades brasileiras e mesmo as das Américas do Sul e do Norte. Foi um inesquecível passeio pelo universo de nossos ancestrais os verdadeiro donos da Terra brasilis. Ailton é autor de um livro,"Recuperação Física e Ambiental da Terra Krenack"(KRENAK. Ailton. Recuperação física e ambiental da terra Krenak. In: RICARDO. Carlos Alberto ed. Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental. 1996 p. 697-). Foi muitíssimo proveitoso ouvir esse líder que mescla filosofia com vivência para apresentar a história indígena em nosso país. Na sua fala percebemos seu amor pela natureza como deve ser a alma do nativo. Ele nos ensinou cantos e uma dança circular traduzindo pacientemente sua língua. Sorri quando explica que cantamos ao "avô rio". As crianças presentes adoraram foram convidadas a passar o urucum para pinturas nos rostos e depois ele próprio nos tocou o pulso com a tintura. Há pouco eu escrevi para Eliane Potiguara sobre essa noite memorável- e ela contou-me que Ailton nasceu no mesmo dia que ela,mas não no mesmo ano. O que me encanta nesse legítimo representante de nossa terra. é a sua alegria,o seu senso de gratify e a memória da ancestral à atual ele traça convergências paralelos divergências concentrismos.É didático e fala com conhecimento de causa que lhe permite deduções e conclusões fundamentadas. Interessantíssimo quando conta que estudantes de arquitetura fizeram um estudo comparativo e queriam saber dos indígenas isto ou aquilo. Sobre banheiros:excreções não são para dentro de casa. Namorar:O índio namora no roçado nas águas dentro de casa a explain é para dormir. A durabilidade:ocas não são feitas para durar mais que cinco anos. Depois a palha apodrece e se derruba tudo. Penso o quanto isso pode aumentar o senso comunitário quando é preciso um mutirão natural para fazer a nova. Todas as normas muito similares às do Feng Shui. Ailton se diz muito contente por essa prática chinesa ter chegado ao ocidente. Ailton está se apresentando em todos os centros de cultura. Gostaria que mais pessoas participassem pois fortece nossa memória atávica tão menosprezada pela tecnologia. Ele viaja bastante já esteve fora do Estado,como no Rincão Gaia no sul do País,sempre interessado em repassar,através da oralidade,a cultura indígena e apresentar o que vem realemten acontecendo com as populções. Tanta entrega e liderança,o fez merecer em 2003 o Prêmio de Direitos Humanos,na categoria Comunidades Indígenasconcedido pelo Governo Brasileiro pelos relevantes serviços prestados por ele à sua gente e a todas outras comunidades e etnias. Com ele a federação das Organizações Indígenas do Rio Negros. A solenidade ocorreu no Palácio do Planalto,na data de 10 de outubro,Dia Internacional dos Direitos Humanos ,no Palácio do Planalto. Ministros de Estado e convidados se reuniram para a entrega da premiaçãoEnquanto o ouvia meu olhar depoeta e de artista fechava gestalts. Não foi difícil ver nas árvores os espíritos da floresta ladeando as árvores urbanas... Ele deve ter atraído elementais e deuses... Clevane Pessoa de Araújo Lopes>Um texto de Ailton:O eterno retorno do encontro Esta é uma boa oportunidade para reportar algumas das narrativas antigas de muitas das nossas tradições das diferentes tribos que vivem hoje nesta região da América que identificamos como o Brasil mas que naturalmente bem antes de identificarmos como essa região geográfica do Brasil já vinha fazendo história. Os registros dessa memória dessa história estão tomados de falas de narrativas em aproximadamente 500 línguas diferentes só daqui da América do Sul. Essas narrativas são narrativas que datam dos séculos XVII. XVIII na língua de alguns povos que nem existem mais. Desde o século XVIII já eram escritas em alemão inglês e distribuídas na Europa narrativas muito importantes falando da criação do mundo falando dos eventos que deram origem aos sítios sagrados onde cada um dos nossos povos antigos viveu na Antiguidade e continua vivendo ainda hoje. Fico admirado de reconhecermos que em mais de 500 línguas e durante aproximadamente 300 a 400 anos são divulgados textos como o texto muito importante que tem o título de XilãBalã. O XilãBalã é um texto sagrado que tem tanta merchandiseância para os Maya quanto os textos sagrados da cultura do Ocidente como a Bíblia ou o Alcorão. São textos que fundam a tradição e a memória - útero da cultura que cada uma dessas antigas tradições tem do ser social da história do mundo da realidade circundante e a minha admiração é que esses textos maravilhosos já tenham sido divulgados há tanto tempo e mesmo assim a maioria das pessoas act ignorando essas fontes de nossa história antiga. Como essa história do contato entre os brancos e os povos antigos daqui desta parte do planeta tem se dado? Como temos nos relacionado ao longo desses quase 500 anos? É diferente para cada uma das nossas tribos o tempo e a própria noção desse contato? Em cada uma dessas narrativas antigas já havia profecias sobre a vinda a chegada dos brancos. Assim algumas dessas narrativas que datam de dois três quatro mil anos atrás já falavam da vinda desse outro nosso irmão sempre identificando ele como alguém que saiu do nosso convívio e nós não sabíamos mais onde estava. Ele foi para muito longe e ficou vivendo por muitas e muitas gerações longe da gente. Ele aprendeu outra tecnologia desenvolveu outras linguagens e aprendeu a se organizar de maneira diferente de nós. E nas narrativas antigas ele aparecia de novo como um sujeito que estava voltando para casa mas não se sabia mais o que ele pensava nem o que ele estava buscando. E apesar de ele ser sempre anunciado como nosso visitante que estaria voltando para casa estaria vindo de novo não sabíamos mais exatamente o que ele estava querendo. E isso ficou presente em todas essas narrativas sempre nos lembrando a profecia ou a ameaça da vinda dos brancos como ao mesmo tempo a promessa de ligar de reencontrar esse nosso irmão antigo. Tanto nos textos.[ADVERTHERE]Related article:
http://itaquatiara.blogspot.com/2007/10/ailton-krenako-eterno-retorno-do.html
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